sexta-feira, 18 de março de 2011

Mar deixa de ser azul, águas de março fecham o verão, amendoeiras mudam de cor. É o outono chegando...

por Cris Lopes

Domingo entre sol e nuvens pesadas. O Rio já está com a cara das águas de março. Vitrines mudam e entram com as roupas de outono-inverno. Acho engraçado. Nunca precisei das roupas pesadas expostas nas vitrines. Ao contrário, tenho um armário lotado de blusas de linha e algumas de lãzinha, mas raramente faço uso de algumas delas. Casacos de couro? Só quando vou para algum lugar onde verdadeiramente faz frio.
                                            
Prefiro minha bermuda e minha rasteirinha

Não gosto de ver a cidade sem aquele sol brilhante, amarelo, dando cores às pessoas e árvores. O mar, sem ele, fica acinzentado ou de um verde escuro que esconde o azul maravilhoso do verão. Tá bom, não sou o que se chama de frequentadora de praia e nem amante do calor de 40º, mas nuvens escuras entristecem. O Rio é solar, as pessoas são assim.

No meu caso, depois de muitos dias de chuvinha começo a ficar triste. Eu disse triste e não deprimida – dessa já me livrei. Gosto, confesso, das folhas de amendoeiras em mudança de cor. Do verde intenso para o vermelho amarelado. Também gosto de folhas no chão; aquelas que os garis varrem todas as manhãs. Tenho a impressão de que sou feita de açúcar, pois não gosto nem um pouco de sair na chuva, mesmo que seja num leve chuvisco. Evito viagens no outono e a lugares onde chove muito.

Penso, penso, e acabo  indo ao mesmo lugar...
                                                         
Por ser domingo, sairemos para o almoço fora de casa. É um hábito. Hoje, porém, estamos escolhendo um restaurante bem pertinho, daqueles que basta ir de rasteirinha e um vestidinho, sem se preocupar com mais delongas. Ontem, vendo um capítulo da novela das oito, que entra às nove, ouvi dizerem que carioca adora comida de botequim. É verdade, sou uma dessas pessoas que trocam qualquer restaurante chique por um boteco de bairro. Vou acabar no 98, como sempre.
Pareço rueira, não é? Não sou. Tenho um prazer imenso em estar em casa e só saio quando realmente não posso deixar de ir a algum lugar. Quer coisa melhor do que a companhia de um livro, ver um bom filme na TV, conversar com amigos e até tuitar com pessoas queridas? Também não sou o que se pode chamar de consumista e tenho horror a shopping. Gosto de loja de rua, e raramente compro algo em shopping. Alguns, nem conheço. Não me despertam interesse. Ah, mas gosto muito de caminhar pela cidade e de curtir, sozinha, um cinema. Esse, digamos, é meu lado rueiro. 
Comida de boteco, tudo de bom!
                                                          
Daqui há alguns dias terei hóspede, novamente. Dessa vez, a filha de uma amiga que vem conhecer o Rio. Lá vou eu pela centésima vez ao Corcovado, Pão de Açúcar, Pedra da Gávea (se a pessoa desejar saltar de asa delta) e praias da moda que todo mundo quer conhecer. Confesso que se eu puder escapar desse tipo de programa, escapo e deixo que o maridão faça isso, pois ele tem muito mais paciência do que eu. Sou daquelas que não gostam muito de sair da rotina.
Paro aqui. Vinicius, o neto, no Skype. Primeiro ele, sempre. Coisa de avó de neto único.

8 comentários:

  1. "mussaranha" em todos os "posts" só fala em comida. Abjs.

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  2. Hum,crônica saborosa! Parabéns.ABC fraterno

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  3. Gostei, Cris. É deliciosa a maneira como você fala do Rio, dos sol, do mar e dos botecos que adoramos.

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  4. Mussaranha é um apelido doméstico, pq como de três em três horas.

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  5. Fiquei feliz quando você postou o link no TT. Vou ficar seguindo o blog. Gostei. Sinto saudades do Rio e do tempo que trabalhamos juntos. Abs no Werneck e outro para você.

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  6. "Avó de neto único" é ótimo. Mais um relato em que a gente vê mais um pouquinho desta bela cidade. Um fim de semana legal pra você e sua família.

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  7. Saudades dessa amiga querida e dos posts com cheiro e gosto de Rio. Adorei chegar aqui e encontrar esse texto. É bom estar "em casa"...

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  8. Ia comentar o post ontem, mas acabei dormindo de tão cansada. É bom ler as suas crônicas sobre a vida no Rio. Você tem uma maneira interessante de ver e viver na cidade e olha, quem lhe conhece sabe que não é de muita fuzarca.

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