sexta-feira, 25 de março de 2011

À espera de uma sessão de tortura, distração com intriga policial

por Cris Lopes

Há dias nos quais que preciso de um livro light daqueles que a gente lê, curte um pouco e depois passa adiante. Nesta minha fase fisioterápica, onde a espera é respeitável, ficar olhando para as paredes não dá. Ler revistas de consultório, pior ainda. São todas supervelhas ou então as “Caras” da vida, que não me interessam.

Foi assim que descobri, na banca de jornal, os livros policiais brasileiros. Na verdade comprei porque adorei o título: “O silêncio da chuva”. Poético, não? Comprei para ler na sala de espera e no início da fisio, quando fico apenas com gelo no ombro.
                                                                    
Talvez por ignorância, não conhecia o autor. Luiz Alfredo Garcia-Roza escreve que é uma delícia. A editora, Companhia de Bolso. O livro é o primeiro romance policial do autor e já recebeu os prêmios Nestlé e Jabuti. Como não ler? Ainda levei em consideração que cabia na bolsa e não era pesado. Eu não estava buscando literatura de primeira grandeza. Queria um passatempo para uma situação específica.

Espinosa é o personagem principal. Detetive que costuma refletir sobre os crimes olhando o mar da Praça Mauá. Olha eu falando de novo em mar, parece até fixação. Bom, já perceberam que a história se passa no Rio entre a zona sul e o centro.  Não sei por que tive a impressão de que o autor mora no bairro Jardim Botânico, coisa da minha cabeça.

É a história de um executivo que se suicida em uma garagem . É encontrado morto dentro do próprio carro. Daí os fatos começam a se desenrolar, surgem personagens interessantes, amores, pistas que não são pistas, tudo muito bem engendrado e aparentemente sem pistas reais. O final, claro, não vou contar, quem sabe alguém quer ler o romance? É uma boa história, mas nada espetacular. Afinal, Chico Buarque, polemicamente, diga-se, também ganhou o Jabuti e não gostei do livro.
                                                                        
A verdade é que gostei do livro de Garcia Roza, levezinho como me convinha. Por isso já comecei a ler outra obra do autor, em tamanho bolso, “Céu de origamis”, também policial e ambientado na zona sul do Rio.
O autor, com esse nome que parece estrangeiro, é um carioca, filósofo e psicólogo. Além disso, professor universitário que abandonou a carreira e dedicou-se de corpo e alma à ficção policial. Em todos os seus livros, pelo que li na contracapa, Espinosa é o detetive.

Assim levo minhas sessões de fisioterapia, exames médicos, ortopedista... lendo. Enquanto leio, o tempo passa, não me irrito e esqueço-me da dor até aquele momento que a fisioterapeuta, uma vascaína que deve odiar cliente flamenguista como eu, chega e começa os exercícios. Ai, sim. Verdadeiro Flamengo x Vasco onde sempre acabamos em empate e algumas risadas. Mônica, caso leia este post, fique sabendo que lhe acho um amor de torturadora e que sonho com o dia que esse negócio de capsulite torne-se apenas uma vaga lembrança na memória.

Não posso deixar de dizer que as meninas da fisioterapia gostam de música e sempre todos os pacientes da fila são premiados com excelente MPB e Jazz. Isso já valeria a longa espera na fila de atendimento por ordem de chegada


 Saiba mais:
"Ano sim, ano não, o escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza solta nesta época um novo caso do seu personagem mais famoso, o delegado Espinosa, para delírio dos fãs. "Céu de origamis" (Companhia das Letras), o oitavo romance protagonizado pelo policial mais respeitado de Copacabana, é o da vez. E vem com tudo para manter o vínculo de fidelidade do público com a mais sólida investida brasileira nos terrenos da literatura policial." O Globo.

Para ler a matéria completa clique abaixo: 
http://migre.me/47nOq

10 comentários:

  1. Querida Cris,
    Você é carioca até na escolha de seus livros.
    Adorei conhecer Garcia-Roza.
    Beijos
    Clara

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  2. Agora deu vontade de ler o cara! Beijo
    Márcia B.R.

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  3. Uma delícia seu texto. Gamei!

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  4. Acompanhando seus posts e gostando cada vez mais. Vou ler o livro.
    Beijo

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  5. Que texto gostoso de se ler. Continue escrevendo.
    Abraços

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  6. Agradeço os comentários.
    Clara, sou a baiana mais candango-carioca do Brasil.

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  7. Cris,

    Adorei!
    Ja conhecendo o autor, fiquei muito mais proxima dele com sue texto.
    Abraços.
    Nora

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  8. Cris, tudo que você escreve é muito agradável de ler. Você trabalha com as palavras de uma maneira leve e muito simpática. Gosto de ler seus posts! O seu texto nos transporta, parece que estamos participando do cenário. Fiquei com vontade de ler os livros desse autor. Beijos, Mônica

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  9. A amiga Regina Álvares me pediu para postar por ela e na cara de pau vou fazer isso. Ela não tem muita intimidade com o computador.
    "Cris, poste por mim. Adorei tudo. Tenho acompanhado o blog e estou amando tudo que você e @cafe&veneno escrevem. Um dia eu aprendo a postar." Obs: Regina tem 70 anos e está começando a usar a máquina poderosa.

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  10. Quero ler o livro! Adorei Garcia-Roza, que também não conhecia. Cris, até nas sessões de tortura você encontra coisas boas para dividir com os amigos. Concordo com todos que falaram sobre a leveza e delícia do texto. Um primor! Beijos

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