domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sorry periferia, mas a tarde na casa da locomotiva da imprensa, Maria Lima, foi um arraso...

Ao final tenho que perguntar, antecipando o inevitável: por que elas se incomodam tanto com o canto do galo?

Texto de  Ibrahim Sued
psicografado pelo colunista social goiano Lourival Batista Pereira
 
 
                Sorry periferia, mas a tarde na mansão da locomotiva da imprensa brasileira Maria Lima, no último sábado, 12, deste fevereiro sem carnaval, não tinha como ser para principiantes. Já vi reis e rainhas se despirem de suas majestades em repreensível liberdade alcoólica, mas me assustei como a sociedade brasileira atualmente se apresenta – e que a elegante, bela e jovial fotógrafa Katita registrou.

Segundo @maria_lima, essa arrumação é toda dela e o @kassatti só posou para as fotos e misturou os ingredientes da peixada...  
No trivial, tudo perfeito. Menu composto adequadamente de pastas, queijos, castanhas e passas. Um peixe bem comportado, extravagantemente batizado de “Peixada a Siciliana;" lombinho de porco fatiado; e, para meu fino deleite, filé ao molho levemente picante, de autoria sublime da anfitriã. Tudo regado a espumante – que fim levou o indispensável e charmoso Champagne? – e cerveja, bebidas adequadas ao clima horrível da horrível dita Nova Capital.
       
Confira os nomes das pessoas na foto abaixo. O bonitão de boné é Daniel, o filhão da @ruthmarias     
 Mulheres bonitas e inteligentes, vestidas com despojamento que o horário exige, ousando no decorrer, com um pé descalço sobre a grama bem cuidada do jardim interno da casa. Alguns poucos homens, numa celebração que não exigia pares devidamente conformados.
               
                                      
Da esquerda para a direita, em pé:@clarafavilla, @eduardobadu, @maria_lima, @kassatti, @katiamaia, @penhasaviatto. E sentadas: @ruthmarias , @ruthsimões , a querida Edit (assessora do Tiririica) a mais nova integrante do @cafeveneno, e @sandramosaico       
                 Tudo muito corriqueiro, não fossem alguns detalhes...
                Homem na cozinha, quando os vi, só em reunião exclusivamente masculina. Mas, Ika passeou orgulhoso com seu paninho florido arranjado na cintura, colhendo votos dos comensais para a sua “Peixada Siciliana”. Alardeava ser capaz a tal peixada provocar desmaios das moçoilas e senhoras que a provassem – mas o paninho florido colocava em dúvida tais dotes... E Ika, com a arrogância que lhe cabe, ainda queria disputar com a dona da casa o título de melhor receita do dia. Tolinho...
                Aliás, dotes culinários não faltam a Ika, responsável pelo café ao final da tarde. Este, um “su”: Bourbon Vermelho, cedido por uma Dama de Preto das relações de Ika.
                Apropriadamente, para ambiente aberto, charutos cubanos da reserva do playboy Eduardo Badu foram ofertados aos convidados.
                Pasmem – como eu: foram as amigas de Maria Lima, e ela própria, que degustaram com uma estranha, porém sensual, devo admitir, avidez, os charutos.
                Uma tarde onde elas fizeram da maçã, uma limonada... Não conhecem o modelo de mulher, que o mestre do mundanismo apresentou na passagem de 1966 para 1967 67: Antes de mais nada, a `mulher 67' tem que agradar aos homens. Agradar às mulheres ou às amigas não resolve...É burrice Ser discreta. Isto é feminina: nada de masculinidade, como essa palhaçada de terninho. Falar alto, dar gargalhadas estrondosas, são outros detalhes que os homens detestam. Eu, no meu caso tenho horror...''

 Este trio: Ricardo (@kassatti ) , @katiamaia e @maria_lima é da pá virada...

                E enquanto Ika tecia loas ao seu talento na cozinha, as mulheres discutiam, com estonteante e inusitada competência, temas que não costumam frequentar as rodas do high society: política, nacional e internacional; economia; sociologia e antropologia do sexo.
                Sem medo da fossa, elas seguiam lá tentando entender a vida, para, depois, apresentar suas conclusões em sua própria publicação,  denominada “Café e Veneno”.
                Antônio Maria, Stanislaw Ponte Preta, Jacinto de Thormes, eu Ibrahim Sued, juntos não criaríamos um cenário para o mundo moderno tal qual se deu nesta memorável tarde.
                Mas aconteceu. E foi extraordinariamente marcante. Porque em sociedade, inda mais agora com twitter, tudo se sabe.
                E como cavalo, apesar de tudo, ainda não desce escada, e antes que o faça,  à demain, que eu vou em frente...

4 comentários:

  1. O que dizer depois desse texto? Nada! Só posso admirar a incrível capacidade de observação desse colunista. E seu humor fino... Fiel aos fatos, sofisticado nos comentários, descreveu "comme il faut" a tarde promovida pela locomotiva Maria Lima. Sorry periferia.

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  2. Texto gostoso de ler e de me dar inveja por não ter participado da reunião. Não faz mal, meu dia chegará. Rapaz, eu já havia me esquecido que "cavalo não desce escada", como dizia Ibrahim Sued.Ah, não se faz mais reunião de pauta como antigamente. Ótima notícia. Aos mestres da cozinha, daqui senti o cheiro do peixe do kassati e do filé de Maria Lima.

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  3. Delícia de encontro! Mais pela alegria estampada nos rostos do que pela comida, se bem que glutão como sou... rsrsr. Parabéns pelo blog! Pensei que fôsse de meninas, mas pelo visto os garotos entram na pista. Além de tudo, os textos são uma delícia. Abraços a todos.

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  4. Esse Lourival estava doido para desmaiar e lambuzou os bigodes na Peixada Siciliana ... (rs). Tirando algumas maledicências, o texto está sensacional e acho que o Lourival veio para ficar : )

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