quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

De cego e louco todo mundo tem um pouco ...

Por Mariazinha Lima 

_Meu Deus do céu? O Cesar não era cego? Mas eu tirava a roupa durante a massagem!

  O desabafo mortificado de uma das jornalistas de O Globo ilustra bem como todos nós nos sentimos quando ficamos sabendo que Cesar, um "deficiente visual" que durante longos meses nos alisou nas tensas tardes de sextas-feiras de pescoção ,  em demoradas sessões de shiatzu, não só não era cego, como tinha sido recolhido á Papuda por um assassinato e outra tentativa frustrada com tiros certeiros há alguns anos em Brazlândia (DF)
  
Perdão leitores, este foi o único falso cego que a editora deste Blog conseguiu no Google Imagens

Depois do sumiço e da prisão, ficamos sabendo que de cego ele não tinha nada. O que só confirmou algumas suspeitas na redação. Toda sexta-feira, por volta das 15 horas, lá vinha o grandão com sua bengala batendo daqui e dali até ser conduzido pela recepcionista Estela à saleta onde as massagens aconteciam.

Na saleta reservada, depois que ele ligava seu sonzinho três em um com CDs de músicas relaxantes e preparava a cadeira especial de massagens, uma fila se formava. O  Gustavo Paul era sempre o primeiro. Mas nunca se convenceu muito sobre sua cegueira e as vezes fazia pegadinha lhe estendendo uma nota de R$2 reais para o pagamento estipulado em R$10. Imediatamente ele rejeitava a nota, dizendo:

_ É R$10 reais...

Com seus trinta e poucos anos, moreno, alto, nem feio nem bonito, com um indefectível óculos escuro a la Chico Xavier, César enganava bem no shiatzu. Especialmente na sexta-feira, quando nós chegávamos travados da semana que se findava mas ainda tinha um pescoção com dois jornais para fechar pela frente. Além do Globo, ele atendia também os funcionários de um  laboratório , um andar abaixo do jornal no Brasilia Shopping.

O "ceguinho" enganava bem no shiatzu. Mas se traía quando a cliente era gostosona, como Geralda Doca, que não passou da primeira sessão.

_ Ah não! So fiz massagem com o César uma vez. Ele fungava muito no meu cangote! _ comentou Gegê.

Há cerca de seis meses Cesar desapareceu sem avisar. Alguns , como Gustavo Paul, ficaram inconsoláveis, pois não abriam mão das massagens antes do pescoção. A chefe da administração tentou em vão localiazar o homem. Nada. Mas aí veio a noticia: ele fora preso quando fazia massagens nos funcionários do laboratório e estava trancafiado na Papuda.

 Na verdade tinha sido localizado depois de anos de procura da polícia por dois crimes praticados em Brazlandia. Um o tiro foi certeiro e o primeiro morreu na hora. O segundo foi alvejado mas escapou com vida . Depois se soube, crime passional.

Assumiu o lugar de Cesar,  nas sessões vespertinas de Shiatsu no Globo, Estelinha mãos de fada com suas bolinhas sonoras japonesas.

4 comentários:

  1. Acabei rindo muito ao imaginar a situação do shiatsu com o cego que não era cego. Muito bom.

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  2. Só espero que a má fama do nome não prejudique minha clínica informal e itinerante de aconselhamento jornalístico com imposição das mãos sobre os chakras (e arredores) das colegas, em ambiente discreto e relaxado. :-)

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  3. Adorei a história do cego que não era cego. "Meu Deus do céu? O Cesar não era cego? Mas eu tirava a roupa durante a massagem!" O "abre" é fantástico. Já comecei a ler rindo... Ri muito. Terminei imaginando Estelinha mãos de fada com suas bolinhas sonoras japonesas rsrs. Ótimo!

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  4. Aqui na Redação do Café & Conversa, nós achamos que o povo todo sabia que o massagista não era cego, mas fazia de conta que não sabia ...

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