domingo, 28 de abril de 2013

Crônica de uma noite de outono

Por Cris Lopes

Sou da noite, não da farra noturna, gosto do silêncio de casa. Pessoas dormindo, um ressonar aqui e ali, um bom livro e um copo d'água ao meu lado. Tem coisa melhor? É hora de pensar, organizar os pensamentos e depois dormir o sono dos justos. Tenho feito muito isso. É a hora da meditação, de encontrar o centro, o tão desejado equilíbrio.

Para outras coisas gosto do dia. Adoro sol, mas não me entendo bem com o calor, daí minha predileção pelo mês de maio, nem oito nem oitenta. Perfeito. Sinceramente, mesmo sabendo da necessidade, não gosto de chuva, mas quando ela cai depois de muitos dias desaparecida e vem aquele cheiro forte de terra molhada, eu amo. Amor fugaz.

É bom acordar em um dia fresquinho, abrir a janela, respirar profundamente e ver o mar, as montanhas e muitas gaivotas. Algumas vezes urubus se intrometem no meio delas e mesmo sendo um bicho horrível, voando é maravilhoso como se fosse garça. A vida é assim, plena de contrastes.

Penso em mim e dou um rápido passeio no passado. Percorro meu itinerário de vida, alterado várias vezes por mudanças intempestivas. Cai, levantei, cai de novo, encontrei o amor pleno da maternidade e que maravilha! Fui avó de um lindo menino loirinho com cara de anjo e que hoje é um adolescente saudável. Dádiva, só pode ser. Amei, fui amada, encontrei o amor que eu queria e digo com sinceridade, sou feliz. Não tenho mais desejos supérfluos, encontrei, no meio de dores e alegrias o que acho ser meu equilíbrio. Enlouqueci? Talvez, mas ganhei sabedoria, muito menos do que gostaria.

Como todos, também adoeci, curei-me, adoeci de novo e vou levando a vida sorrindo na certeza de que nada nos acontece por acaso. Fatalista? Quem sabe. Mulher de fé, sou. Fé em tudo: Deus, pessoas, natureza, mundo...sou daquelas que acredita que o meu país melhorou e nem gosto de me lembrar da palavra ditadura; é como se fosse um cancro cravado na alma, daqueles que médicos e remédios não curam.

Quando jovem era uma espoleta. Quanto mais coisas melhor. Foi divertido, mas passou. Amadureci, descobri a paz de estar em casa, a alegria d presença dos filhos, do neto, dos amigos, tudo assim calmo, um pouco de cada vez, pois sou inimiga do estresse que conheci tão bem. Depressão? Nunca mais ela me pega e só me pegou, juntamente com uma síndrome do pânico, porque eu estava desprevenida e pensando que o trabalho era a coisa mais importante do mundo. Passei um tempão sem parar para ver os pássaros, aprender a tirar uma abelha da casa sem machucá-la e muito menos matar, coisa simples que não ia e resolvia logo com uma chinelada sem pensar na importância do animalzinho.
Estou longe da perfeição, e o pavor de baratas adquirido na casa de uma de minhas avós? esse irá comigo até a eternidade, mas como tenho sorte, nunca vi uma em minha casa e nem escutei o som bem baixinho (tsc, tsc) que elas fazem quando correm ou se preparam par o voo.

Pois então, mais uma das minhas estórias em uma noite de outono. Fica o registro.

20 comentários:

  1. Cris, que saudade dos seus textos, cronista do cotidiano. Não some não.
    Beijos.

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  2. Acabei de ver no TT. Valeu,@crisflopes1. Escreva mais, fale do Rio de Janeiro.
    Regina

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  3. Boa tarde menina, bela crônica. Sucesso!!
    @Fontes_

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  4. Quando você escreve tenho a impressão de estar conversando com você. Gosto.

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  5. Hum... escrevendo de novo, hein? que coisa boa! adorei!
    Beijos!
    Vico L.

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  6. Muito bom, Cris. Continue. Beijos da Comadre Pris.

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  7. Tão gostoso de ler. Vá em frente, escreva mais.
    Maria do Carmo.

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  8. Eu sei que você tem um monte de crônicas então publica mais, tá?
    Vera Teixeira.

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  9. Acabei de ler. Vi no Face. Adorei. Bjs.
    Maria da Penha Monteiro

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  10. Lindo Cris, cheio de doçura Bjs Luz Marine

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  11. Cris, gosto demais de ler tudo que escreve. Sempre a sua essência aparece, era assim nos tempos de faculdade, lembra-se?

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  12. Também gosto da noite... Adorei o texto!!!! Adoro vc!!!! bjs.

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  13. Cris, vá em frente. Quem acompanhou a poesia dos textos que você escrevia quando estava doente, sabe muito bem como você escreve gostoso. Naqueles meses você ajudou muita gente com sua força, coragem e determinação. Me espelhei em você. Gosto daquele texto que fala na sala de radioterapia é aquilo mesmo, só que eu via com terror e você com tranquilidade. Beijos.

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  14. Maravilhoso texto, Cris, lembro quando o li no face, com um misto de surpresa e admiração e alegria por conhecer um pouquinho mais de você. Que sorte a minha, quando a conheci , numa página qualquer da internet, você, que me ajudou tantas vezes, você, sempre atenta e vigilante a mim... Escreva mais, muito mais, escreva infinitamente, quero ler muitas e muitas crônicas suas. Além de ser humano ímpar, também tem talento para escrever. Beijos!!!

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  15. Beijos, Cris. Prazer em reler...

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  16. Oi, Cris, só vi hoje. Amei. Beijo.

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  17. Que saudade de você, doce amiga!

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  18. Amigos queridos, acabei de ler os comentários. Muito obrigada. Realmente quem tem amigos não morre pagão...Beijos carinhosos e não deixem de acompanhar o blog.

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