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sábado, 8 de outubro de 2011

Do cinema para a vida ... somos (quase todas) irmãs de Liv Ullmann

por Leda Flora (Blog Papo Furado) 

Quando algo pega a gente pra valer, sempre dá um jeito de retornar com frescor, independente dos variados espaços entre as ondas de memória que o leva ou traz. A geografia de episódios assim indica que esse território se chama emoção. O material, por maior prazer que o sustente no momento da posse, está longe do atestado de vida longa. Pertence ao espaço do efêmero. O espanto da emoção, ao contrário, se eterniza. E se eternizou em mim o primeiro close da atriz norueguesa



 Liv Ullmann que eu vi dentro da sala escura. O título do filme voou,  restou apenas o olhar. Nos outros filmes dela que persegui, queria apenas ver novamente como dois olhos estáticos conseguiam tanta eloquência, como podiam dizer tanta coisa, como explicavam sentimentos em plena mudez, como exibiam a sensibilidade extraordinária dela.
E um belo dia, provavelmente da década de 1980, encontrei por acaso um livro - Mutações - que me despertou enorme curiosidade por se tratar da autobiografia de Liv. E que se tornou meu amigo e guardo até hoje. Logo eu, que dou meus livros aos montes. Ali, ela contou o mistério do close: vinha de pensamentos atrás da testa, muitas vezes encadeados, como dúvidas, covardia, ambivalência, falta de nobreza espontânea requeridas pela personagem. Ou ainda a revelação do tipo de vida que seu rosto observou. Tudo muito interior, abstrato como a matemática, e distante da maquiagem, do cabelo, da beleza.



As histórias de Liv são contadas com uma delicadeza nórdica, quase política. Abre ao leitor uma série de contradições, como se sentir forte e frágil simultaneamente, como gostar de ser paparicada em Hollywood mas desejar  correr sempre para Oslo, como perceber-se às vezes mais solitária na companhia de um homem do que sozinha. Relata o temor da velhice para quem conheceu muito bem os holofotes, a necessidade e as  armadilhas do amor, as dificuldades de ser mulher nos anos 70, o mal -estar de não poder estar mais perto da filha Linn, seu amor maior.

Muitas páginas são dedicadas a Ingmar Bergman, o diretor sueco com quem se casou e teve a filha. Isolados na Ilha de Faro, entre a Rússia e a Suécia, que ele amava muito mais do que ela, viveram durante cinco anos fases tão pesadas que mais pareciam os filmes dele, dez dos quais a elevaram à categoria de grande estrela. Liv resume a vida com Bergman dialeticamente: "A única maneira de me sentir segura era viver do modo que ele queria. Pois só assim ele estava seguro".

Lendo Mutações me senti irmã de Liv. Nenhum sentimento dela me era estranho. Atitudes que tomou eu teria tomado também. Sua visão de mundo me soou familiar. Suas dúvidas me chegaram plausíveis como também suas dores e seus medos. E olha que não conheço fiordes, não me casei com um gênio sueco, não fiz teatro ou cinema, não acompanhei Henry Kissinger num evento, não jantei com Leonid Brezhnev e Richard Nixon na embaixada russa em Washington, não fui disputada por Hollywood, e nunca esqueci um alfinete no vestido e só percebi no meio da festa.
 Com ela, passei também por uma mutação: perdi a crença na superioridade do macho branco europeu. Afinal, se Liv e eu éramos tão próximas, a ideia não se sustentava. E passei a olhar de banda os adoradores do Primeiro Mundo, hoje em processo de queda, que mal conseguem esconder o sentimento pessoal de inferioridade. Jamais conseguirei apreciá-los.

terça-feira, 1 de março de 2011

Meu inglês too short não me impediu de sentir a emoção vibrando no Discurso do Rei Colin Firth

 Volta pro meu sofá, seu lindo!!
Por Ruth Simões

Adoro cinema, mas não sou muito ligada nessas festas do Oscar. Acho aquilo tudo tão pasteurizado! Coisa de americano, como o queijo dos sanduíches McDonalds, a comida semipronta, as pessoas tão parecidas mas tão isoladas em seus mundos. Isso é como vejo, à distância. Não conheço os Estados Unidos. No meu tempo (de adolescente), era chique dizer "ah, eu detesto coisa de americano"... E, assim, cheguei até aqui imune ao sonho e ao fascínio da América do Norte. E falando (sem falar) um inglês "short" rs. Mas short curto mesmo, rs. Disso me arrependo!


 Não precisa rezar, já tô chegando!!!


Mas não é dos americanos nem do Oscar que quero falar. Não tenho conhecimento técnico para isso. Quero falar de sentimento. Ou melhor, quero falar da manifestação do sentimento. Quero falar, principalmente, do que não se diz. Acabada a premiação do Oscar, li no Twitter comentários de pessoas se queixando de que houve pouca emoção na festa. E eu, que sou crítica ferrenha da demonstração superficial de sentimentos norte-americana, discordei.

 Que mãos!!!
Tudo bem que os autores das manifestações sentimentais de que falo não nasceram nos Estados Unidos da América. Colin Firth nasceu na Inglaterra e Natalie Portman em Israel. A premiação de nenhum deles surpreendeu. Eram favoritos. No palco, ambos disseram poucas palavras. Mas foram, na minha opinião, eloquentes em cada silêncio; em cada olhar; em cada palavra não dita. Senti a emoção de Colin Firth no seu jeito britânico de se conter. E senti a emoção de Natalie Portman em cada agradecimento. A carreira vitoriosa de uma atriz tão jovem envolve muitos participantes. E ela fez questão de lembrar cada um deles.

Gosto de Colin Firth desde "O Diário de Bridget Jones". Outro dia (já um pouquinho distante) assisti num canal de tevê a cabo alguns capítulos da minissérie inglesa "Orgulho e Preconceito" - acho que foi um de seus primeiros papéis - e também gostei. Gosto dele como ator. Gosto do jeito "Colin Firth" de ser. Gosto de pessoas que não são explícitas. Gosto de quem apenas sugere, sem dizer. Gosto de quem deixa um pouco da interpretação a cargo da inteligência do outro. Se tudo for dito, o que sobra para o interlocutor? Conformar-se com o óbvio. 

 Vou te esconder da Penha Saviatto, meu gato!!
De Natalie Portman, acho que é uma mulher assombrosamente bela e uma atriz genial. Gosto dela desde sempre e mais a partir de "Closer - Perto Demais". Vejo que ela vai além, muito além, da beleza óbvia. Gosto de quem vai além da aparência e mergulha na essência. Gosto de quem se entrega ao que faz e ao que vive. Ela poderia ser, simplesmente, uma das mulheres mais lindas do mundo. Porque isso ela já é. Mas não se contentou. Quis superar seu próprio limite, quis ser a melhor atriz que podia ser. E foi. 

Adorei o resultado! Gosto quando a vida responde, na mesma proporção, ao empenho das pessoas. Gosto quando o esforço alcança sucesso correspondente. Gosto de pensar que, na vida, é sempre assim! Vence quem se dedica... Mais... E mais... 


PS. O "inglês short" não é de minha autoria. A palavra foi usada pela primeira vez por uma ex-primeira-dama. Quem se lembra disso?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Viva Maria !!! Viva Maria Lima!

Por Clara Favilla

Comecei este texto pensando na melhor maneira de  homenagear a querida Maria Lima, nossa Mariazinha, de O Globo, que  venceu o Troféu Mulher Imprensa 2010, categoria Impresso, divulgado ontem 22 de fevereiro. Não que ganhar um prêmio seja questão assim fundamental. Tantas são as atividades humanas indispensáveis para as quais não existe qualquer reconhecimento público, não é mesmo?

 
 Para a vencedora, champanhe! Ela merece!

Permito-me aqui uma digressão: Alguém se lembra de premiar a roupa mais bem lavada, não em máquinas, mas à mão, à beira dos rios desse Brasil tão infinito? Ou quem tece a rede mais caprichada. Meu jardineiro fez florir cinco orquídeas num mesmo arbusto e nem por isso merecerá uma festa. No máximo minha maior consideração.

 Os queridos @romoaldodesouza e @marialima , chez @eduardobadu

Também ninguém ainda instituiu o Prêmio Gari do ano. Aliás, quantas vezes ouvi mães dizendo: "filho, se  não estudar vai ser lixeiro". Mas vocês já repararam a presteza, a organização e mesmo a elegância dos lixeiros de Brasília? Uniformes completos, botas, luvas e muitas vezes até máscaras.

Não sei se instituíram algum adicional produtividade pra eles. Mas sempre me espanto com a rapidez com que trabalham. Enquanto o caminhão faz a curva lá no fim da rua, eles vão amontoando aqueles sacos pretos em pontos estratégicos. Quando o caminhão estaciona é só atirá-los pra dentro da caçamba. Outra coisa: estudaram sim. Têm pelo menos têm o ensino fundamental completo, o que no Brasil é  grande conquista.
A querida Leda Flora, primeira à esquerda,  que também já brilhou no jornalismo político de Brasília, participou do nosso brinde à  vitória de @maria_lima Também participaram da comemoração,além da turma habitual, as queridas Carmensita de blusa branca ao lado do único homem engravatado (@kassatti) e Andiara, a de vestido de bolinhas.

Bem, realmente não sei se jornalistas deveriam ser premiados e se esses prêmios deveriam ser rotinas. Todo ano, aquela mesma coisa, quem se destacou nisso ou naquilo. Eu só sei dizer, que o prêmio da nossa Maria Lima foi mais que merecido. O ano passado foi difícil. Vivemos um processo eleitoral pesado. Os ânimos se exaltaram. Muita patrulha. Muita falta de consideração com a diferença; com quem não concorda que o Brasil não vai assim tão bem das pernas; com quem está convicto de que institucionalmente nosso país retrocedeu nos últimos 8 anos.
A vencedora se deliciando com café feito pelo especialista @romoaldodesouza e chocolate da Cacahua
 Ao dar o título de Viva Maria a este post, lembrei-me do filme homônimo de Louis Malle, com Brigitte Bardot e Jeanne Moreau, passado em algum país da América Central. Mariazinha é nossa guerrilheira da notícia, sempre com sua metralhadora a postos!

Mariazinha trabalhou na cobertura, pelo O Globo, da campanha de Dilma Roussef. Teve que se equilibrar na corda bamba para cumprir bem seu compromisso com os leitores e a preservação de relações pessoais importantes à continuidade de seu trabalho.

 
Mas também sabe ser coquete com La Bardot e La Moreau...

Como repórteres não podemos queimar canais de comunicação. Ouviu cobranças. Críticas. Mas não se afastou um milímetro sequer do que entende ser notícia e do esforço que precisa ser feito para conquistá-la. Nos brindou não só com o trivial. Fez a diferença com entrevistas deliciosas, entre elas a do irmão da presidente Dilma. E tudo isso, sem esquecer dos cuidados com a própria beleza e sempre com algum tempo pros amigos. Nossa querida recém completou 20 anos de O Globo. E tantos anos de casa só foi possível  com muita ralação e bajulação zero. Viva Maria!!!

Saiba mais sobre o filme:
Viva Maria, dirigido por Louis Malle, com Brigitte Bardot e Jeane Moreau, teve a maioria de suas locações no México. Conta a história de Maria II (Bardot), que acabou de perder o pai,  um terrorista irlandês, que se encontra com Maria I (Moreau), uma cantora de circo no interior de um país imaginário da América Latina em 1907.
Maria II resolve fazer parte do circo com Maria I e quando as duas fazem um número de canto, elas acidentalmente inventam o strip-tease, o que torna o circo famoso.Durante suas aventuras com o circo, acidentalmente elas conhecem um líder socialistas e as duas acabam se tornando líderes de uma revolução.

(Fonte Wikipédia, mas pode confiar, é isso mesmo. O filme está disponível em DVD)